23.2.12

Confiteor

Olha: eu sei que a outra amas
Noto e conheço
Que a alguém voltas a paixão justa e infinda
Que eu não disputo porque não mereço.

Amo-te, é certo, adoro-te, confesso
E não deves querer que to repita
És o objeto do culto que professo
E amar-te é lei na minha sorte escrita.

Verme-ás comovida e muda
Nunca hei de falar porque na vida
Quero ver-te feliz antes de tudo.

Segue, portanto, deixa-me sozinha
Deixa apenas que esta alma dolorida
Espalhe versos pelo teu caminho.

2 comentários:

  1. Conheci e decorei este poema quando era menina/mocinha( nos anos 60/70), o eu-lírico era masculino e a 1ª estrofe era um pouco diferente:
    "Olha: eu sei que outro amas, que palpita
    outro peito por ti, noto e conheço,
    que a outro votas paixão justa e infinita
    que não disputo porque não mereço."
    O 1º terceto:
    "Ver-me-ás comovido e mudo... ( eu-lírico masculino)
    Parabéns pelo pai- poeta! E obrigada por partilhar
    [ ]s

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    1. Muito obrigada pelo comentario. Fico feliz de ver o blog sendo lido :) Eu transcrevi os poemas e sonetos diretamente do caderno de poesias de meu pai, escrito ou transcrito em sua bela caligrafia por volta dos anos 50, muito antes de eu nascer. Algumas sao de sua autoria e outros ele menciona o autor, ou se foi baseado em outro trabalho. Apos seu comentario, dei uma rapida pesquisa no Google e encontrei uma versao em italiano da mesma poesia, de um escritor chamado Ariodante Marianni! Que interessante. Obrigada por me fazer voltar as lembrancas do caderninho do meu pai :) []s Dali

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