A Anaisa Por H. Menon
(Escrito a 24-4-41, num momento de recordação e de saudade, um mês depois do desmoronamento dos meus ideais)
Si ouço a tua voz em noite de luar
Fito, embevecido, o céu pela janela
E o coração começa a soluçar
"Enquanto a plácida lua, no infinito vela"
Um turbilhão de dor se funde, se enovela
Em meu pobre peito, arfante, e farto de chorar
E eu vejo lá no céu em cada estrela
O teu olhar de santa, fulgindo, a cintilar
E já que não me olhas, já que o teu olhar
Não tenho mais, siquer para enganar
A ilusão cruel de teu amor,
Quero-te ouvir, vóz que me seduz
Debruçado à janela com os braços em cruz
Afogando meus ais num abismo de dor.
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