De H. Menon
Ao coração saturado de amargura de meu pai querido
Conheço a tua dôr, meu pobre pai, chorando
Sinto também a dor que estás sentindo
Sem tua esposa ao mundo irás mostrando
A dor cruel que ora estás carpindo.
Finou-se a vida de quem foi deixando
Em nossa vida um padecer infindo
E uma saudade cruel multiplicando
A desventura que te está ferindo.
O teu sofrer, meu pai, será eterno.
Foi-se da vida aquele amor tão terno
Que, sobre a terra, agora se desfaz.
Porém não chores. Nem sempre é riso a vida
E a tua esposa e minha mãe querida
É mais feliz que nós. Ela não sofre mais.
Poesias de Chicoliveira
23.2.12
Alma que Vacila
De Walter Scott
Sinto em meu peito a estranha inquietude
De um coração que sofre e não descansa
Sombras de maldade e restos de virtude
Um todo de descrença, migalhas de esperança.
E sou feliz. A minha juventude
É toda um sonho de feliz creança
Que ainda hoje a minha vida ilude
E tem o sofrimento amarga semelhança.
Só creio em Deus, o mundo não consegue
Roubar em mim esta feliz descrença.
E enquanto sou feliz a mágoa me persegue.
O mundo é o Nada. A vida é uma quimera.
E sou feliz porque a minha crença
É ter no peito um coração de fera.
Sinto em meu peito a estranha inquietude
De um coração que sofre e não descansa
Sombras de maldade e restos de virtude
Um todo de descrença, migalhas de esperança.
E sou feliz. A minha juventude
É toda um sonho de feliz creança
Que ainda hoje a minha vida ilude
E tem o sofrimento amarga semelhança.
Só creio em Deus, o mundo não consegue
Roubar em mim esta feliz descrença.
E enquanto sou feliz a mágoa me persegue.
O mundo é o Nada. A vida é uma quimera.
E sou feliz porque a minha crença
É ter no peito um coração de fera.
Se Estou Contigo
De Walter Scott
À M.S.C.
Se estou contigo a contemplar de perto
O teu olhar de singular meiguice
A minha alma etéria, sinto que se libra
Nas asas do sonho aos paramos remotos
Do encantado País da Fantasia
E inebriada de gozo em êxtase contempla
Na miragem fugaz dos ternos olhos teus
A aurora rosicler de um futuro feliz.
Se estou contigo os olhos teus me falam
Num silêncio eloquente e enigmático
De um amor imortal forte infinito
Capaz de quebrantar as forças do destino
Enquanto me falam assim, tacitamente,
Eu finjo acreditar no amor que eles proclamam
Nesta grande afeição que julgo inexistente.
E tudo finjo crer, meu bem, unicamente
Porque contigo a minha dor dói menos
E sou quasi feliz fingindo-me feliz!...
8-1-49
À M.S.C.
Se estou contigo a contemplar de perto
O teu olhar de singular meiguice
A minha alma etéria, sinto que se libra
Nas asas do sonho aos paramos remotos
Do encantado País da Fantasia
E inebriada de gozo em êxtase contempla
Na miragem fugaz dos ternos olhos teus
A aurora rosicler de um futuro feliz.
Se estou contigo os olhos teus me falam
Num silêncio eloquente e enigmático
De um amor imortal forte infinito
Capaz de quebrantar as forças do destino
Enquanto me falam assim, tacitamente,
Eu finjo acreditar no amor que eles proclamam
Nesta grande afeição que julgo inexistente.
E tudo finjo crer, meu bem, unicamente
Porque contigo a minha dor dói menos
E sou quasi feliz fingindo-me feliz!...
8-1-49
Súplica
De Walter Scott
A E...
Ajoelhado à margem da ventura
Contemplo, ao longe, as névoas do passado
Na campa da saudade - insólita sepultura
Vejo este amor em pranto amortalhado.
Palestras ao luar... palavras de ternura
Queixas, ciúmes... tudo é recordado.
Mulher cruel de helênica formozura
Ressurge esta afeição... revive este passado!
Bem vês, querida, que sorrindo eu quero
Zombar da dor, fingir que sou feliz
Porque a ti, somente a ti, procuro ser sincero.
Teu grande amor foi lindo quanto eu quis
Teu grande amor é tudo quanto eu quero
Volta, querida, perdôa o que eu lhe fiz.
A E...
Ajoelhado à margem da ventura
Contemplo, ao longe, as névoas do passado
Na campa da saudade - insólita sepultura
Vejo este amor em pranto amortalhado.
Palestras ao luar... palavras de ternura
Queixas, ciúmes... tudo é recordado.
Mulher cruel de helênica formozura
Ressurge esta afeição... revive este passado!
Bem vês, querida, que sorrindo eu quero
Zombar da dor, fingir que sou feliz
Porque a ti, somente a ti, procuro ser sincero.
Teu grande amor foi lindo quanto eu quis
Teu grande amor é tudo quanto eu quero
Volta, querida, perdôa o que eu lhe fiz.
Cunversa Fiada
De H. Menon
Outro dia eu mi encontrei
Cum ua garota bunita
Qui prometeu munto a eu
E si aquilo num fô fita,
O mundo e o céu já são meu.
Antonce eu disse pra ela
Vomece vá me dizeno
Si num é tapiação...
Foi logo mi arrespondendo
É de todo o coração.
Antão, sá bona, assim seno
Si vomecê mi quisé
E eu num sair de Patú
Conforme o que Deus dissé:
Vamo até Honolulu.
Outro dia eu mi encontrei
Cum ua garota bunita
Qui prometeu munto a eu
E si aquilo num fô fita,
O mundo e o céu já são meu.
Antonce eu disse pra ela
Vomece vá me dizeno
Si num é tapiação...
Foi logo mi arrespondendo
É de todo o coração.
Antão, sá bona, assim seno
Si vomecê mi quisé
E eu num sair de Patú
Conforme o que Deus dissé:
Vamo até Honolulu.
In Extremis
De Walter Scott
São estes versos os últimos lamentos
Partidos de meu peito amargurado,
Atroz evocação de tão cruéis momentos
No atro funeral de nosso amor finado.
Sinto em minhalma o espinho das tormentas
E o louco soluçar de um peito agustiado
No triste alvorecer dos meus pradecimentos
No sentir-me, por fim, tão só, tão desprezado.
Confesso que te amei... Fui ébrio de paixão
Mas, não te quero mais, prefiro a solidão.
Prefiro olhar de longe a vã felicidade.
Que outro seja então, o novo felizardo
Enquanto eu desditoso bardo
Canto a teus pés meu hino de saudade.
São estes versos os últimos lamentos
Partidos de meu peito amargurado,
Atroz evocação de tão cruéis momentos
No atro funeral de nosso amor finado.
Sinto em minhalma o espinho das tormentas
E o louco soluçar de um peito agustiado
No triste alvorecer dos meus pradecimentos
No sentir-me, por fim, tão só, tão desprezado.
Confesso que te amei... Fui ébrio de paixão
Mas, não te quero mais, prefiro a solidão.
Prefiro olhar de longe a vã felicidade.
Que outro seja então, o novo felizardo
Enquanto eu desditoso bardo
Canto a teus pés meu hino de saudade.
Recordando
De Chicoliveira
Era uma tarde amena de Setembro.
Por mim passaste a rir suavemente
E logo após querida,(inda me lembro)
Tu prometeste a mim um amor ardente.
E logo agora - princípios de Novembro
Nada mais resta da paixão fremente
Que me votaste, querida, e que relembro
Com o coração chorando amargamente.
Acreditei na tua promessa. Ó que destino!
Somente tarde eu vejo o desatino
Que cometi acreditando em ti.
Não se lembrou minhalma apaixonada
Que promessa de mulher não vale nada
Nem me lembrei das mágoas que sofri.
13/11/41
Era uma tarde amena de Setembro.
Por mim passaste a rir suavemente
E logo após querida,(inda me lembro)
Tu prometeste a mim um amor ardente.
E logo agora - princípios de Novembro
Nada mais resta da paixão fremente
Que me votaste, querida, e que relembro
Com o coração chorando amargamente.
Acreditei na tua promessa. Ó que destino!
Somente tarde eu vejo o desatino
Que cometi acreditando em ti.
Não se lembrou minhalma apaixonada
Que promessa de mulher não vale nada
Nem me lembrei das mágoas que sofri.
13/11/41
Que Sentes, Coração?
De W. Scott
Tu, coração, que em ritmo constante
Pulsaras. fortemente, noite e dia;
Tu que, outrora, de gozar, estuante
Comigo partilhava o riso e a alegria;
Que tem agora, que sinto oscilante
Com a pancada sem ritmo, vagarosa e fria?
Onde é que está o futuro fascinante
Que o Destino, falaz, me prometia?
Estás cansado? Descansa! Pobrezinho
Trilhemos da existência o áspero caminho
Que a promessa se há de realizar.
Sê forte! Que o teu ânimo e fortaleza
Irão vencendo a dor e a tristeza
Até que um dia te canses de pulsar.
Tu, coração, que em ritmo constante
Pulsaras. fortemente, noite e dia;
Tu que, outrora, de gozar, estuante
Comigo partilhava o riso e a alegria;
Que tem agora, que sinto oscilante
Com a pancada sem ritmo, vagarosa e fria?
Onde é que está o futuro fascinante
Que o Destino, falaz, me prometia?
Estás cansado? Descansa! Pobrezinho
Trilhemos da existência o áspero caminho
Que a promessa se há de realizar.
Sê forte! Que o teu ânimo e fortaleza
Irão vencendo a dor e a tristeza
Até que um dia te canses de pulsar.
Jesus e Eu
De H. Menon
À eterna memória de minha mãe
Jesus sofreu a ingratidão do mundo
Viu sua nobreza aos pés do poviléo manchada
Viu-se sozinho em padecer profundo
Sentiu no Horto a alma ensanguentada.
Lá no Calvário estava o rei do mundo
Longe dos seus, do mundo abandonado
Porém da Cruz, olhando o moribundo
Viu sua mãe e viu-se amargurado.
Sofreu por nós o infame sacrifício
Cuspido e maltratado, e em seu suplício
Vendo a mãizinha expira consolado.
E eu... O que fazer si meu destino insiste?
Morreu-me a pobre mãe. Oh! quanto é triste
Subir o meu Calvário, abandonado.
À eterna memória de minha mãe
Jesus sofreu a ingratidão do mundo
Viu sua nobreza aos pés do poviléo manchada
Viu-se sozinho em padecer profundo
Sentiu no Horto a alma ensanguentada.
Lá no Calvário estava o rei do mundo
Longe dos seus, do mundo abandonado
Porém da Cruz, olhando o moribundo
Viu sua mãe e viu-se amargurado.
Sofreu por nós o infame sacrifício
Cuspido e maltratado, e em seu suplício
Vendo a mãizinha expira consolado.
E eu... O que fazer si meu destino insiste?
Morreu-me a pobre mãe. Oh! quanto é triste
Subir o meu Calvário, abandonado.
Maria Madalena
De H. Menon
Madalena - diz a tradição - era formosa
de lindos olhos, porte bem traçado,
tinha nas faces o frescor da rosa
- era a mulher mais bela do passado.
Porém o mundo - onda volutuosa
semeia no seu peito mal formado
de mulher moça, fraca e descuidosa
a vil semente, o germe do pecado.
E Madalena que era tão formosa
de lindos olhos, faces cor-de-rosa
torna-se a má e passa, assim, à História.
Mas, Jesus, - "o caminho, a verdade e a vida"
ouviu sua confissão de arrependida
Chamou-a um dia, e deu-lhe a eterna glória.
Madalena - diz a tradição - era formosa
de lindos olhos, porte bem traçado,
tinha nas faces o frescor da rosa
- era a mulher mais bela do passado.
Porém o mundo - onda volutuosa
semeia no seu peito mal formado
de mulher moça, fraca e descuidosa
a vil semente, o germe do pecado.
E Madalena que era tão formosa
de lindos olhos, faces cor-de-rosa
torna-se a má e passa, assim, à História.
Mas, Jesus, - "o caminho, a verdade e a vida"
ouviu sua confissão de arrependida
Chamou-a um dia, e deu-lhe a eterna glória.
Confiteor
Olha: eu sei que a outra amas
Noto e conheço
Que a alguém voltas a paixão justa e infinda
Que eu não disputo porque não mereço.
Amo-te, é certo, adoro-te, confesso
E não deves querer que to repita
És o objeto do culto que professo
E amar-te é lei na minha sorte escrita.
Verme-ás comovida e muda
Nunca hei de falar porque na vida
Quero ver-te feliz antes de tudo.
Segue, portanto, deixa-me sozinha
Deixa apenas que esta alma dolorida
Espalhe versos pelo teu caminho.
Noto e conheço
Que a alguém voltas a paixão justa e infinda
Que eu não disputo porque não mereço.
Amo-te, é certo, adoro-te, confesso
E não deves querer que to repita
És o objeto do culto que professo
E amar-te é lei na minha sorte escrita.
Verme-ás comovida e muda
Nunca hei de falar porque na vida
Quero ver-te feliz antes de tudo.
Segue, portanto, deixa-me sozinha
Deixa apenas que esta alma dolorida
Espalhe versos pelo teu caminho.
À Memória da Minha Adorada Mãe
Nascestes como os lírios cristalinos
cercada de sorrisos d´alvorada,
Em berço de setim foste embalada
Tinhas beijos de amor e ternos hinos
Viveste como o amor peregrino
Nas chamas da virtude alimentada
Do mundano prazer sempre afastada
Entregue aos ideais puros, divinos.
Sofreste como mártir,teu tormento
Não mudou-te porém, ó mãe sublime,
Um instante sequer, o sentimento!
Viveste como santa um fim bendito
És um astro de menor cá na terra
Um serafim de maior lá no infinito.
cercada de sorrisos d´alvorada,
Em berço de setim foste embalada
Tinhas beijos de amor e ternos hinos
Viveste como o amor peregrino
Nas chamas da virtude alimentada
Do mundano prazer sempre afastada
Entregue aos ideais puros, divinos.
Sofreste como mártir,teu tormento
Não mudou-te porém, ó mãe sublime,
Um instante sequer, o sentimento!
Viveste como santa um fim bendito
És um astro de menor cá na terra
Um serafim de maior lá no infinito.
Tombém...
... si a santa num dé um jeito
milagrosa qui nem é
e num fizé direitinho
do geitinho qui eu quisé
mi chamem de severgonho
se inda oiá pra muié.
Francisco Oliveira
... si a santa num dé um jeito
milagrosa qui nem é
e num fizé direitinho
do geitinho qui eu quisé
mi chamem de severgonho
se inda oiá pra muié.
Francisco Oliveira
Peditório
De H. Menon
Há muito tempo qui eu sinto
U´a mardita fadiga
só de pensá qui vancê
num óia pra eu nem liga
si é pruquê num mi qué
num se acanhe e mi diga.
Prucaso disso é que onte
passei tarvez u´a hora
fitano bem prú artá
pedino a Nossa Sinhora
qui abrande seu coração
qui só mêrmo ela mióra.
Cuma si posse um hiato
na frente dum aratoro
era assim mêrmo qui eu tava
fazeno meu peditoro;
disse pá santa, chorano:
Minha vida é um purgatoro.
Penso cumigo qui a santa
tem pena di meu sofrê
e qui só tá demorano
pru tê munto o qui fazê
mai qui mai cedo ou mais tarde
é bem capaz de atendê.
(continua)
Há muito tempo qui eu sinto
U´a mardita fadiga
só de pensá qui vancê
num óia pra eu nem liga
si é pruquê num mi qué
num se acanhe e mi diga.
Prucaso disso é que onte
passei tarvez u´a hora
fitano bem prú artá
pedino a Nossa Sinhora
qui abrande seu coração
qui só mêrmo ela mióra.
Cuma si posse um hiato
na frente dum aratoro
era assim mêrmo qui eu tava
fazeno meu peditoro;
disse pá santa, chorano:
Minha vida é um purgatoro.
Penso cumigo qui a santa
tem pena di meu sofrê
e qui só tá demorano
pru tê munto o qui fazê
mai qui mai cedo ou mais tarde
é bem capaz de atendê.
(continua)
Vagalume
De H. Menon
Notívago ser vagante e sem abrigo
a tua luz aclara meu cruel viver
e faz lembrar meu coração amigo
a mulher que folga em ver-me a padecer.
Vives errante em busca de um jazigo
iluminado à luz do próprio ser
pois eu, também, alforando, incerto sigo
na noite negra de um cruel sofrer.
Não amas como eu, pois és feliz,
não vives como eu que a quem mais quiz
foi para mim uma mulher perjura.
Porém, guiado à luz da consciência
Peço a Jesus bondoso e de clemência
um lenitivo para a desventura.
Notívago ser vagante e sem abrigo
a tua luz aclara meu cruel viver
e faz lembrar meu coração amigo
a mulher que folga em ver-me a padecer.
Vives errante em busca de um jazigo
iluminado à luz do próprio ser
pois eu, também, alforando, incerto sigo
na noite negra de um cruel sofrer.
Não amas como eu, pois és feliz,
não vives como eu que a quem mais quiz
foi para mim uma mulher perjura.
Porém, guiado à luz da consciência
Peço a Jesus bondoso e de clemência
um lenitivo para a desventura.
Meu Último Pedido
De H. Menon
A uma alguém de olhos sonhadores.
Montando guarda à minha sepultura
eu que te amei izenta de maldade
quero somente a tua imagem pura
emoldurada na dor e na saudade.
Logo que desça o véu da noite escura
volve, querida, um olhar de piedade
e de joelhos, orando com ternura
pede a Jesus, por mim, felicidade...
Inda te peço triste e humildemente
que nunca esqueça este infeliz vivente
que tanto amou e te adorou na vida...
Reza por mim que te ouvirei do Além
que ao Senhor eu pedirei, também,
muitas venturas, para ti, querida.
A uma alguém de olhos sonhadores.
Montando guarda à minha sepultura
eu que te amei izenta de maldade
quero somente a tua imagem pura
emoldurada na dor e na saudade.
Logo que desça o véu da noite escura
volve, querida, um olhar de piedade
e de joelhos, orando com ternura
pede a Jesus, por mim, felicidade...
Inda te peço triste e humildemente
que nunca esqueça este infeliz vivente
que tanto amou e te adorou na vida...
Reza por mim que te ouvirei do Além
que ao Senhor eu pedirei, também,
muitas venturas, para ti, querida.
Hora Crepuscular
De W. Scott
Na torre da Igrejinha sôam tristemente
As treis badaladas tristes da Ave-Maria
Há na Natureza um sussurrar plangente
Há em minhalma amargor e nostalgia
Morre na penumbra, lentamente o dia
Qual amante que morre levando ocultamente
Um desgosto qualquer... dor... melancolia...
Da querida mulher da qual se vê ausente.
E eu comparo, nesta hora, a solidão reinante
À dor que sinto no meu peito amante
Na minhalma triste pela dor sofrida.
É que esta hora marca para nós
A hora em que escutava tua voz
Tão doce e tão suave antes da partida.
Na torre da Igrejinha sôam tristemente
As treis badaladas tristes da Ave-Maria
Há na Natureza um sussurrar plangente
Há em minhalma amargor e nostalgia
Morre na penumbra, lentamente o dia
Qual amante que morre levando ocultamente
Um desgosto qualquer... dor... melancolia...
Da querida mulher da qual se vê ausente.
E eu comparo, nesta hora, a solidão reinante
À dor que sinto no meu peito amante
Na minhalma triste pela dor sofrida.
É que esta hora marca para nós
A hora em que escutava tua voz
Tão doce e tão suave antes da partida.
Respondendo
De W. Scott
A Zélia
No dolente crespúsculo do amor que mal nascia
Num prelúdio feliz de glória e de ventura
Resta-nos o adeus nostálgico que anuncia
O epílogo do amor e o prólogo da amargura.
E não te quero mal, pois tudo nesta vida
Passa, deixando um rastro de tortura
E sempre depois de uma ilusão querida
Surgem as horas de dor e desventura.
Desejo apenas que sejas bem feliz
E já que o Destino o nosso amor não quiz
Quero viver sozinho entre os abrolhos.
E em ênfasis de dor e amarga nostalgia
Resta a saudade que aos poucos me excrucia
De nunca mais poder fitar teus olhos.
A Zélia
No dolente crespúsculo do amor que mal nascia
Num prelúdio feliz de glória e de ventura
Resta-nos o adeus nostálgico que anuncia
O epílogo do amor e o prólogo da amargura.
E não te quero mal, pois tudo nesta vida
Passa, deixando um rastro de tortura
E sempre depois de uma ilusão querida
Surgem as horas de dor e desventura.
Desejo apenas que sejas bem feliz
E já que o Destino o nosso amor não quiz
Quero viver sozinho entre os abrolhos.
E em ênfasis de dor e amarga nostalgia
Resta a saudade que aos poucos me excrucia
De nunca mais poder fitar teus olhos.
20.1.12
Quando eu morrer...
De Walter Scott
A quem me faz sofrer.
Quando eu morrer, se te deixar querida
Levarei o teu semblante no meu peito amigo,
Quando meu corpo se evolar da vida
No meu jazigo eu sonharei contigo.
E no momento atróz da despedida
Chamar-te-ei e sentirás comigo
A dor que mostrarás arrependida
Da traição que me fizeste e que maldigo.
Quadno eu morrer leva este soneto
E deposita sobre o esquife preto
Onde meu corpo de martir repousar.
Quando seu meu corpo ao cemitério;
Quando ouvir o sino em seu tanger funério
Tu, que és tão ingrata para mim, há de chorar.
Momento de Saudade
À memória de minha mãe De F. C. Oliveira
O sol esmaecido se ocultou na serra
Densa mortalha de crepe se debruça
Sôbre minh'alma triste que soluça
E se compara à solidão da Terra.
Volvo ao cemitério um maguado olhar,
Vesper brilhando, lá no céu, parece
O olhar da minha mãe na derradeira prece
Quando seus filhos quis abençoar.
Recordo triste o derradeiro olhar
De minha mãi - meu anjo tutelar
Hoje feliz na pátria da verdade.
E tudo é triste como a própria noite
Soluça o vento em repetido açoite.
- Hora de dôr... Momento de saudade!...
O sol esmaecido se ocultou na serra
Densa mortalha de crepe se debruça
Sôbre minh'alma triste que soluça
E se compara à solidão da Terra.
Volvo ao cemitério um maguado olhar,
Vesper brilhando, lá no céu, parece
O olhar da minha mãe na derradeira prece
Quando seus filhos quis abençoar.
Recordo triste o derradeiro olhar
De minha mãi - meu anjo tutelar
Hoje feliz na pátria da verdade.
E tudo é triste como a própria noite
Soluça o vento em repetido açoite.
- Hora de dôr... Momento de saudade!...
À Minha Mãe
De F. C. Oliveira
Quando beijei teu rosto já sem vida
Li nos teus olhos, mortos, mal fechados
Pelo Destino cruel enfim velados
O que quizeste dizer-me, ó mãe querida!
E nesta vida, em cada arremetida,
Dos teus filhinhos, cêdo abandonados,
Os teus conselhos serão sempre lembrados,
Como lembrada será tua despedida.
Tu, minha mãe, que para o Azul voaste
Olha teus filhos que a chorar deixaste
Agrilhoados às dôres d'orfandade.
Jesús, também, te beijará a face.
Oh! minha mãe "requiescat in pace"
E ouve do céu meu pranto de saudade.
Quando beijei teu rosto já sem vida
Li nos teus olhos, mortos, mal fechados
Pelo Destino cruel enfim velados
O que quizeste dizer-me, ó mãe querida!
E nesta vida, em cada arremetida,
Dos teus filhinhos, cêdo abandonados,
Os teus conselhos serão sempre lembrados,
Como lembrada será tua despedida.
Tu, minha mãe, que para o Azul voaste
Olha teus filhos que a chorar deixaste
Agrilhoados às dôres d'orfandade.
Jesús, também, te beijará a face.
Oh! minha mãe "requiescat in pace"
E ouve do céu meu pranto de saudade.
Ilusão Extinta
A Edel... De H. Menon
O nosso amor que foi uma utopia
Morreu tão cedo, e mesmo assim deixou
Dentro em meu peito a dôr que me crucía
Cruel lembrança que, p'ra mim, ficou.
O teu capricho, mulher, foi quem matou
A amizade fiel que mal nascia
O nosso amôr que cêdo se acabou
Deixando a dôr, levando a fantasia
E, hoje, vivo de ilusões extintas
Sentindo n'alma um coração que chora
Busando, em vão, sem máguas, te esquecer.
Mas, praza aos céus, mulher, que ainda sintas
A mesma dôr que me causaste agora
Para que saibas quanto dói sofrer.
O nosso amor que foi uma utopia
Morreu tão cedo, e mesmo assim deixou
Dentro em meu peito a dôr que me crucía
Cruel lembrança que, p'ra mim, ficou.
O teu capricho, mulher, foi quem matou
A amizade fiel que mal nascia
O nosso amôr que cêdo se acabou
Deixando a dôr, levando a fantasia
E, hoje, vivo de ilusões extintas
Sentindo n'alma um coração que chora
Busando, em vão, sem máguas, te esquecer.
Mas, praza aos céus, mulher, que ainda sintas
A mesma dôr que me causaste agora
Para que saibas quanto dói sofrer.
Tua Vóz
A Anaisa Por H. Menon
(Escrito a 24-4-41, num momento de recordação e de saudade, um mês depois do desmoronamento dos meus ideais)
Si ouço a tua voz em noite de luar
Fito, embevecido, o céu pela janela
E o coração começa a soluçar
"Enquanto a plácida lua, no infinito vela"
Um turbilhão de dor se funde, se enovela
Em meu pobre peito, arfante, e farto de chorar
E eu vejo lá no céu em cada estrela
O teu olhar de santa, fulgindo, a cintilar
E já que não me olhas, já que o teu olhar
Não tenho mais, siquer para enganar
A ilusão cruel de teu amor,
Quero-te ouvir, vóz que me seduz
Debruçado à janela com os braços em cruz
Afogando meus ais num abismo de dor.
(Escrito a 24-4-41, num momento de recordação e de saudade, um mês depois do desmoronamento dos meus ideais)
Si ouço a tua voz em noite de luar
Fito, embevecido, o céu pela janela
E o coração começa a soluçar
"Enquanto a plácida lua, no infinito vela"
Um turbilhão de dor se funde, se enovela
Em meu pobre peito, arfante, e farto de chorar
E eu vejo lá no céu em cada estrela
O teu olhar de santa, fulgindo, a cintilar
E já que não me olhas, já que o teu olhar
Não tenho mais, siquer para enganar
A ilusão cruel de teu amor,
Quero-te ouvir, vóz que me seduz
Debruçado à janela com os braços em cruz
Afogando meus ais num abismo de dor.
Peregrinação
A ela... H. Menon
Ao teu coração ingrato - Méca do meu sonho
Venho tangido ao léu do meu destino
Sem pátria e sem carinho... um louco peregrino
Fugindo aos areais do fado atróz, medonho
Sou um escravo que fujo ao cativeiro
De outro amor. Fugido vim por fim
Contar-te o meu amor, meu sonho verdadeiro
E suplicar, Tem compaixão de mim...
Não quero mais voltar. Dá-me um abrigo
Não me desprezes... Deixa-me contigo
Quero esquecer a dor que já senti.
Vês no meu rosto feio, acabrunhado
O reflexo da dor de um ser amargurado
Que será feliz, pois, inda espera por ti.
Ao teu coração ingrato - Méca do meu sonho
Venho tangido ao léu do meu destino
Sem pátria e sem carinho... um louco peregrino
Fugindo aos areais do fado atróz, medonho
Sou um escravo que fujo ao cativeiro
De outro amor. Fugido vim por fim
Contar-te o meu amor, meu sonho verdadeiro
E suplicar, Tem compaixão de mim...
Não quero mais voltar. Dá-me um abrigo
Não me desprezes... Deixa-me contigo
Quero esquecer a dor que já senti.
Vês no meu rosto feio, acabrunhado
O reflexo da dor de um ser amargurado
Que será feliz, pois, inda espera por ti.
Dôr... Ciúme...
À Edel - H. Menon
Enquanto a tua espera estava, lendo
um romance de amor, de gloria e sacrifício
Senti remorsos de viver sofrendo
sem precisar de estar neste cilício.
(Que dor suprema a que me vai no espírito!
Que atroz ciúme me consome, ó flor!)
Pensava assim, quasi a chorar, num rito
de quem se entrega ao desespero e à dor...
Depois senti um refrigério n'alma
Senti voltar-me novamente a calma
E ouvi a voz do pobre coração:
- Não te condenes à dor. Viver é isto...
Perdôa esta mulher... Faz como Cristo
Que o teu sofrer será tua redenção.
Enquanto a tua espera estava, lendo
um romance de amor, de gloria e sacrifício
Senti remorsos de viver sofrendo
sem precisar de estar neste cilício.
(Que dor suprema a que me vai no espírito!
Que atroz ciúme me consome, ó flor!)
Pensava assim, quasi a chorar, num rito
de quem se entrega ao desespero e à dor...
Depois senti um refrigério n'alma
Senti voltar-me novamente a calma
E ouvi a voz do pobre coração:
- Não te condenes à dor. Viver é isto...
Perdôa esta mulher... Faz como Cristo
Que o teu sofrer será tua redenção.
Evocação e Prece
À sagrada memória da minha mãe, no 5o. Aniversário de seu falecimento (19-7-46)
Quando a tropeçar da vida nos múltiplos escolhos
Recordo o triste olhar, sombrio, agonizante
Que me volveste no derradeiro instante
Duas lágrimas de dor cintilam nos meus olhos.
Meu pobre coração nos doloridos folhos
Luta e se debate tímido, arguejante
Qual, em noite de procela, pávido navegante,
Sem bússola e sem leme, sobre um mar de abrolhos.
Mãe! Dos páramos celestes vela por teu filho
Que sem carinho e amor deixaste neste exílio
Quando voaste da Terra aos braços de Jesus.
Se de onde estás, ó mãe! é permitido sentir
Vem e volve para mim se Cristo consentir
O teu celeste olhar de aurifulgante luz.
Quando a tropeçar da vida nos múltiplos escolhos
Recordo o triste olhar, sombrio, agonizante
Que me volveste no derradeiro instante
Duas lágrimas de dor cintilam nos meus olhos.
Meu pobre coração nos doloridos folhos
Luta e se debate tímido, arguejante
Qual, em noite de procela, pávido navegante,
Sem bússola e sem leme, sobre um mar de abrolhos.
Mãe! Dos páramos celestes vela por teu filho
Que sem carinho e amor deixaste neste exílio
Quando voaste da Terra aos braços de Jesus.
Se de onde estás, ó mãe! é permitido sentir
Vem e volve para mim se Cristo consentir
O teu celeste olhar de aurifulgante luz.
Descrença
H. Menon
Houve um tempo (e não vai longe) que eu acreditava cegamente na palavra da mulher.
Para a minha alma adolescente e destituída de experiência, a palavra feminina constituía o mais solene dos julgamentos - a mais absoluta das verdades.
E eu me julgava feliz.
Mas, não tardou que minha opinião se metamorfozeasse.
Fui verificando paulatinamente a cegueira que me envolvia e uma luz exterior iluminou-me o espírito.
E deixei desaparecer de meu coração a figura cruel da mulher que tanto me traiu.
Alguém sem conhecimento do que se passou, - sem a certeza absoluta dos dissabores que experimentei, já me cognominou "máquina de fazer vítimas".
Poderei aceitar de bom grado, tal cognome? Nunca!
A máquina, por si só não se move; é necessário uma força estranha como se verificou em meu espírito - desprevenido à princípio, e depois convicto da realidade.
E hoje, apezar de moço, a minha alma está cansada e de tanto sofrer tornou-se incrédula.
Mas não obstante, volto á considerar-me novamente feliz.
Houve um tempo (e não vai longe) que eu acreditava cegamente na palavra da mulher.
Para a minha alma adolescente e destituída de experiência, a palavra feminina constituía o mais solene dos julgamentos - a mais absoluta das verdades.
E eu me julgava feliz.
Mas, não tardou que minha opinião se metamorfozeasse.
Fui verificando paulatinamente a cegueira que me envolvia e uma luz exterior iluminou-me o espírito.
E deixei desaparecer de meu coração a figura cruel da mulher que tanto me traiu.
Alguém sem conhecimento do que se passou, - sem a certeza absoluta dos dissabores que experimentei, já me cognominou "máquina de fazer vítimas".
Poderei aceitar de bom grado, tal cognome? Nunca!
A máquina, por si só não se move; é necessário uma força estranha como se verificou em meu espírito - desprevenido à princípio, e depois convicto da realidade.
E hoje, apezar de moço, a minha alma está cansada e de tanto sofrer tornou-se incrédula.
Mas não obstante, volto á considerar-me novamente feliz.
Na Estreita Estrada da Felicidade
De H. Menon
Pensando num futuro côr-de-rasa
em pleno vigôr da loura mocidade
puz-me a subir na longa e tortuosa
estrada estreita da felicidade.
Numa incontida e louca ansiedade
eu fui subindo... a alma descuidosa
sem um desgosto siquer. Nem a saudade
me anuviava a fronte erguida e airosa.
E lá no meio da intensa estrada
de rosas primaveris toda juncada
percebo enfim que tudo foi baldado.
E sem puder, gosas a tal ventura
eu que fui buscar na dor e na tortura
quero voltar, agora ao meu passado.
Pensando num futuro côr-de-rasa
em pleno vigôr da loura mocidade
puz-me a subir na longa e tortuosa
estrada estreita da felicidade.
Numa incontida e louca ansiedade
eu fui subindo... a alma descuidosa
sem um desgosto siquer. Nem a saudade
me anuviava a fronte erguida e airosa.
E lá no meio da intensa estrada
de rosas primaveris toda juncada
percebo enfim que tudo foi baldado.
E sem puder, gosas a tal ventura
eu que fui buscar na dor e na tortura
quero voltar, agora ao meu passado.
De H. Menon (Parodiando F. Dantas)
O orbe terrestre era um conjunto de rara beleza. De tudo existia.
O primeiro homem, no meio da abundância experimentando horas de intensa felicidade, não se julgava feliz.
Vivia só.
E humilde pediu - "Senhor, dae-me uma companheira?"
E Deus ideou a mulher. De um monte de rosas que a sua mão soberana colheu nos hortos do Éden, moldou cuidadosamente o corpo maravilhoso da mulher. Doutou-a de todos os atrativos necessários para tornar completa a felicidade do homem, que não era feliz. E a mulher surgiu, do meio da espuma odorosa das rosas, encantadoramente linda.
Mas não vivia.
Faltava-lhe a alma, que Deus fez dos sobêjos das rosas, misturando um pouquinho de volubilidade e de ingratidão que Eva legaria às suas filhas futuras.
E Deus entregou-a a Adão, com estas palavras: "Toma a companheira que pedistes e sede felizes".
E até hoje o homem, crente absoluto da palavra de Deus, se julga feliz, mesmo sofrendo.
E desde então, o mundo passou a ser um misto de ventura e de infelicidade, de ilusão e de realidade!
E no cyclo ininterrupto da suassão das raças, vai se transformando a volubilidade e a ingratidão que o Ente Supremo infiltrou na alma embrionária da primeira mulher.
Fim
Em 31-1-41
O orbe terrestre era um conjunto de rara beleza. De tudo existia.
O primeiro homem, no meio da abundância experimentando horas de intensa felicidade, não se julgava feliz.
Vivia só.
E humilde pediu - "Senhor, dae-me uma companheira?"
E Deus ideou a mulher. De um monte de rosas que a sua mão soberana colheu nos hortos do Éden, moldou cuidadosamente o corpo maravilhoso da mulher. Doutou-a de todos os atrativos necessários para tornar completa a felicidade do homem, que não era feliz. E a mulher surgiu, do meio da espuma odorosa das rosas, encantadoramente linda.
Mas não vivia.
Faltava-lhe a alma, que Deus fez dos sobêjos das rosas, misturando um pouquinho de volubilidade e de ingratidão que Eva legaria às suas filhas futuras.
E Deus entregou-a a Adão, com estas palavras: "Toma a companheira que pedistes e sede felizes".
E até hoje o homem, crente absoluto da palavra de Deus, se julga feliz, mesmo sofrendo.
E desde então, o mundo passou a ser um misto de ventura e de infelicidade, de ilusão e de realidade!
E no cyclo ininterrupto da suassão das raças, vai se transformando a volubilidade e a ingratidão que o Ente Supremo infiltrou na alma embrionária da primeira mulher.
Fim
Em 31-1-41
Sonêto
De H. Menon
Tudo que é belo, no mar, no céu, no mundo
todo o fulgôr da luminosa aurora
todo mistério, desde o mais profundo
todo lyrismo dum infeliz que chora;
Tudo que belo, que fulge e resplandece
lá no infinito, negro e constelado
A poesia que jamais fenece
e um puro amôr, num peito apaixonado;
Toda beleza da Diana bela
Mostrando a terra, luminosa cimbela
toda ternura da palavra adeus;
e tudo enfim que neste mundo é santo
que constitue p'ra mim enfevo e encanto
- Deus encerque, Nadir, nos olhos teus.
Tudo que é belo, no mar, no céu, no mundo
todo o fulgôr da luminosa aurora
todo mistério, desde o mais profundo
todo lyrismo dum infeliz que chora;
Tudo que belo, que fulge e resplandece
lá no infinito, negro e constelado
A poesia que jamais fenece
e um puro amôr, num peito apaixonado;
Toda beleza da Diana bela
Mostrando a terra, luminosa cimbela
toda ternura da palavra adeus;
e tudo enfim que neste mundo é santo
que constitue p'ra mim enfevo e encanto
- Deus encerque, Nadir, nos olhos teus.
Depois do Rompimento
À Ozelita
Tenho certeza que agora és bem feliz
Em quem roubou tu´alma, o coração
que de ingrato e de malvado não me quiz
e quer julgar-se, por certo, com razão.
Mas, à mulher jamais,, curvo a cerviz;
Que mal te fiz para pedir perdão?!
E se algum dia seu querer o fiz
não se compara à tua ingratidão.
Tenho certeza que agora és bem ditosa
e que serás em breve a venturosa
rainha de um lar que não é meu.
Mas, meu coração que quiz, amou e sofreu
Confessa, agora também, que não te quer
Pois também quer e ama outra mulher.
De H. Menon
Tenho certeza que agora és bem feliz
Em quem roubou tu´alma, o coração
que de ingrato e de malvado não me quiz
e quer julgar-se, por certo, com razão.
Mas, à mulher jamais,, curvo a cerviz;
Que mal te fiz para pedir perdão?!
E se algum dia seu querer o fiz
não se compara à tua ingratidão.
Tenho certeza que agora és bem ditosa
e que serás em breve a venturosa
rainha de um lar que não é meu.
Mas, meu coração que quiz, amou e sofreu
Confessa, agora também, que não te quer
Pois também quer e ama outra mulher.
De H. Menon
19.1.12
Rosas
À M. L. De Walter Scott
Rosas - pedaços murchos da ventura ida
Migalhas que sobraram da felicidade
Retratos da minhalma prusta de saudade
Do melhor tempo que passei na vida...
Contemplá-las sem dôr... não posso!... e quem há de?
Vendo em cada rosa, sem viço, emorchida
A sombra atentatora da ilusão querida
Que a pantera do tempo matrou sem piedade...
Quando as contemplo com o olhar maguado
Na amarga evocação de meu passado
Fico horas a cismar imerso na saudade;
Pois, como as rosas que jamais vicejarão
Sei que não mais reviverá essa ilusão
Que foi o próprio ardor de minha mocidade.
25-4-44
Rosas - pedaços murchos da ventura ida
Migalhas que sobraram da felicidade
Retratos da minhalma prusta de saudade
Do melhor tempo que passei na vida...
Contemplá-las sem dôr... não posso!... e quem há de?
Vendo em cada rosa, sem viço, emorchida
A sombra atentatora da ilusão querida
Que a pantera do tempo matrou sem piedade...
Quando as contemplo com o olhar maguado
Na amarga evocação de meu passado
Fico horas a cismar imerso na saudade;
Pois, como as rosas que jamais vicejarão
Sei que não mais reviverá essa ilusão
Que foi o próprio ardor de minha mocidade.
25-4-44
Revelação
A alguém De W. Scott
É grande o meu sofrer, porém dissimulado;
Ao mundo inteiro oculto a minha dor, sorrindo.
Disfarço a todo gosto a dor que vou sentindo
Por ter no coração um sonho acrisalado.
Ninguém dirá que vivo amargurado
Ao ver-me, sempre alegre, sempre rindo;
Mas enquanto as esperanças vão se consumindo
À dor e aos desenganos vivo acorrentado.
A toda gente oculto a minha dor. No entanto
Alguém pode saber porque padeço tanto.
- Diz, pobre alma, eterna sofredora!
- Direi: - Si escondo ao mundo a minha dor terrível
Somente a ti, querida, isto é impossível,
Revelo pois: De tudo és causadora...
É grande o meu sofrer, porém dissimulado;
Ao mundo inteiro oculto a minha dor, sorrindo.
Disfarço a todo gosto a dor que vou sentindo
Por ter no coração um sonho acrisalado.
Ninguém dirá que vivo amargurado
Ao ver-me, sempre alegre, sempre rindo;
Mas enquanto as esperanças vão se consumindo
À dor e aos desenganos vivo acorrentado.
A toda gente oculto a minha dor. No entanto
Alguém pode saber porque padeço tanto.
- Diz, pobre alma, eterna sofredora!
- Direi: - Si escondo ao mundo a minha dor terrível
Somente a ti, querida, isto é impossível,
Revelo pois: De tudo és causadora...
Amor, Felicidade
De G. de Almeida
Infeliz de quem passa pelo mundo
Procurando no amor, felicidade
A mais linda ilusão dura um segundo
E dura a vida inteira uma saudade.
Taça repleta o amor no mais profundo
Íntimo esconde a joia da verdade
Só depois de vasia mostra o fundo
Só depois de embriagar a mocidade.
Oh! quanto namorado descontente
Escutando a palavra confidente
Que o coração murmura e a voz não diz,
Percebe afinal por seu pecado
Tanto lhe falta para ser amado
Quanto lhe basta para ser feliz.
29-1-41 H.Menon
Infeliz de quem passa pelo mundo
Procurando no amor, felicidade
A mais linda ilusão dura um segundo
E dura a vida inteira uma saudade.
Taça repleta o amor no mais profundo
Íntimo esconde a joia da verdade
Só depois de vasia mostra o fundo
Só depois de embriagar a mocidade.
Oh! quanto namorado descontente
Escutando a palavra confidente
Que o coração murmura e a voz não diz,
Percebe afinal por seu pecado
Tanto lhe falta para ser amado
Quanto lhe basta para ser feliz.
29-1-41 H.Menon
Túmulo do Verso
por Segundo Wanderley
Não! não creio na amarga profecia
dos arautos fataes do pessimismo
que predisem num vão filosofismo,
da loira Musa a próxima agonia.
Não sucumbe de vez a fantasia
que se nutre da seiva do lirismo
nem da carne fremete o despotismo
esmaga a flor que gera a utopia.
Serpe doirada, fascinando a presa
é debalde que açula a Naturesa
dos gosos quentes o lascivo enchame.
Do Genio o aureo sonho se requinta
- emquanto houver uma mulher que sinta
- emquanto houver um coração que ame!
28/01/41 - H/Menon
Não! não creio na amarga profecia
dos arautos fataes do pessimismo
que predisem num vão filosofismo,
da loira Musa a próxima agonia.
Não sucumbe de vez a fantasia
que se nutre da seiva do lirismo
nem da carne fremete o despotismo
esmaga a flor que gera a utopia.
Serpe doirada, fascinando a presa
é debalde que açula a Naturesa
dos gosos quentes o lascivo enchame.
Do Genio o aureo sonho se requinta
- emquanto houver uma mulher que sinta
- emquanto houver um coração que ame!
28/01/41 - H/Menon
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